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Um perigoso apelo à ignorância

Um perigoso apelo à ignorância

Hoje deparei-me com um artigo de opinião, intitulado "Sociedade Paralela” e publicado no site Notícias de Aveiro (a 18 de dezembro deste ano), muito esclarecedor acerca da linha de pensamento da direita em Aveiro. Para um tal senhor Paulo Marques do CDS, onde existe uma maior densidade populacional, onde residem minorias e onde a população é mais empobrecida existem “comportamentos desviantes, social e moralmente condenáveis, ignorando leis e valores”. Custa-me acreditar que para este senhor fracas condições de vida sejam confundidas com um leque de maus comportamentos. Não lhes chama então de cidadãos pois “não sabem viver em sociedade”.

Caro senhor, quem não sabe viver em sociedade são aqueles que exploram os seus trabalhadores. Quem não sabe viver em sociedade são aqueles que tentam trocar um espaço público, como o rossio de Aveiro, por um parque de estacionamento subterrâneo (havendo um grande número de espaços de estacionamento, inclusive subterrâneos literalmente às moscas). Quem não sabe viver em sociedade são aqueles que querem fazer dos transportes públicos um negócio.

Este senhor, antigo deputado da Assembleia Municipal de Aveiro pelo CDS, também refere que “não faltam políticas sociais promovedoras de integração social”. Queria então entender onde é que a centralização dos serviços públicos e a falta de transportes até este centro, encaixa no que o próprio referiu. Como é que os (escassos) 300 mil euros atribuidos para a ação social em Aveiro se transformaram em 13 mil euros executados? Onde é que o prazer da direita em privatizar o que é serviço público, a nível nacional e nível local, promove integração social?

Numa coisa estou de acordo, todo o tipo de comportamentos por parte de quem se recusa a viver em sociedade “resultam do simples prazer em destruir ou simplesmente marcar posição de liderança e de afirmação.” Como existe o claro exemplo de que Ribau Esteves (com o apoio do caro senhor Paulo Marques) sente prazer em destruir transportes e espaços publicos e negar apoios à população oferecendo boleias em bagageiras de carros e dizendo que não quer saber do povo.

Este senhor, agradece às intituições todo o seu trabalho, como qualquer um agradece sem pensar duas vezes. Por aquilo que dá para entender da sua escrita ele ignora o fracasso da gestão da ação social, que já ninguém agradece e com motivos, louvando a estas instituições o seu trabalho que a autarquia não consegue fazer. Bom era não existir a necessidade deste tipo de instituições, este sim era um bom sinal.

Gostaria de então mudar o significado da “sociedade paralela” (que o tal tanto fala). O povo sabe quem é que se recusa a viver em sociedade, o povo sabe o tipo de pessoas que vivem fora da realidade e não querem apoiar quem está à sua volta. Todos nós regemos por regras, é verdade, e muitas vezes essas regras servem para uns se sobreporem a outros. Esses uns é que “efetivamente julgam que só têm direitos e nenhumas obrigações ou deveres”.