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Empresa premiada pelo IAPMEI escraviza trabalhadora

Empresa premiada pelo IAPMEI escraviza trabalhadora

A empresa corticeira Fernando Couto – Cortiças, S.A., localizada no concelho de Santa Maria da Feira, na freguesia de Paços Brandão. Dedica-se, essencialmente, à fabricação de rolhas de cortiça natural de alta qualidade e preparação de cortiça em prancha.

Esta empresa despediu uma trabalhadora, tendo esta recorrido para os tribunais. O tribunal da relação do Porto julgou improcedente o despedimento, decidindo pela reintegração da trabalhadora na empresa.

Esta trabalhadora tem doença profissional (tendinites), é portadora de hérnia discal e lombalgias intensas, é divorciada e não aufere quaisquer outros rendimentos, tem a seu cargo um filho com doença de foro psiquiátrico, factos que são do conhecimento da entidade empregadora, contexto que agudiza a sua dependência económica em relação à empresa.

Quando a trabalhadora voltou para a empresa, a entidade patronal resolveu partir para a humilhação. Segundo o sindicato, a empresa fez as seguintes humilhações à trabalhadora:

•        Proibição de acesso às casas de banho de outros trabalhadores e atribuição de uma casa de banho própria sem privacidade (a trabalhadora terá trazido um pano preto para não permitir visibilidade para o interior);

•        Proibição de acesso ao estacionamento do seu veículo automóvel nas instalações da empresa, ao contrário de outros trabalhadores;

•        Controlo do uso do papel higiénico e do tempo de permanência no wc, inclusivamente batendo à porta caso demore;

•        Incitamento dos restantes trabalhadores a não falarem com a trabalhadora;

•        Atribuição de funções em local sem contacto com qualquer outro colega de trabalho;

•        Atribuição de funções penosas, contrariando as indicações da própria medicina no trabalho, como carregar e descarregas os mesmos sacos de 15 e 20 ks, no mesmo ambiente, em temperaturas, muitas vezes, superiores a 40 e 50 graus, com sol direto, o que lhe tem provocado constantes hemorragias;

•        Provocações verbais constantes;

•        Tratamento abusivo e discricionário atentório da dignidade da pessoa humana.

O BE relembra que esta empresa no seu site, afirma que foi PME líder em 2014 e obteve o Estatuto PME Excelência, em 2015, atribuído pelo IAPMEI, a agência estatal para a competitividade e inovação, sendo incompreensível e estranho que uma empresa que viola de forma grosseira direitos laborais e atentórios da dignidade da pessoa humana seja premiada, tanto mais que se tratam de práticas reiteradas e não pontuais.

Face à gravidade da situação vivida por esta trabalhadora, os deputados do BE, Moisés Ferreira, José Soeiro e Isabel Pires solicitaram com caracter de urgência a intervenção do governo. Ler aqui.

AnexoTamanho
assedio_na_corticeiravf.pdf709.61 KB