BE quer que canil intermunicipal realize a esterilização dos animais
O Bloco de Esquerda visitou o canil intermunicipal da Associação de Municípios das Terras de Santa Maria, localizado na freguesia de Ossela, concelho de Oliveira de Azeméis. Este equipamento, inaugurado em março de 2008, serve os municípios de Arouca, Espinho, Oliveira de Azeméis, S João da Madeira, Santa Maria da Feira e Vale de Cambra.
Nesta visita foi possível perceber que o canil se encontra sobrelotado e que é necessário que tanto o canil como os municípios invistam mais em respostas como a esterilização e adoção de animais, que ainda são muito insuficientes.
Para dar um exemplo: qualquer animal que seja adotado no canil intermunicipal sai já com a vacina anti-rábica, a colocação de microchip e o desparasitante interno, mas ainda não sai esterilizado porque o canil ainda não está a garantir esse procedimento cirúrgico a todos os animais. Este é, como facilmente se percebe, um problema porque não permite o controlo populacional e pode levar a mais abandono e mais animais errantes no futuro.
Sobre a adoção, há a destacar os números do próprio canil intermunicipal: desde a entrada em funcionamento deram entrada 12075 animais, tendo sido adotados apenas 3643 (cerca de 30%), uma percentagem que não se alterou nos últimos anos. Aliás, nos últimos 3 anos tem havido um aumento de entrada de animais (sempre acima das 1400 por ano) e no ano de 2016 as adoções desceram em relação aos anos anteriores. Em 2016, foram adotados 420 animais para 1437 entradas registadas (29%), sendo que uma percentagem muito significativa destas adoções (cerca de metade) são adoções na Holanda.
O canil tem em permanência cerca de 170 cães e encontra-se sobrelotado, pelo que não está a receber mais animais nem está a atender às solicitações dos municípios. Falta-lhe ainda instalações fundamentais como locais para colocação de animais em isolamento. Isto é: qualquer animal que seja entregue ou recolhido deveria passar por um protocolo de isolamento até se ter a certeza que ele não transporta doenças ou parasitas que possam contagiar os outros animais. Como este espaço não existe, o que acontece é que os animais são colocados, de imediato, em jaulas partilhadas com outros animais o que potencia – como já aconteceu – surtos de esgana e de outras doenças altamente contagiosas.
Para o Bloco de Esquerda os canis não podem ser locais de abate e por isso votámos favoravelmente a alteração à lei que proíbe o abate de animais. Os canis devem, então, transformar-se em centros de recolha que promovam cada vez mais as políticas de esterilização e de adoção responsável.
Nesse sentido, é fundamental que se proceda a um investimento significativo no canil intermunicipal da Associação de Municípios das Terras de Santa Maria no sentido de o equipar com locais destinados ao isolamento de animais recolhidos, prevenindo assim a propagação de doenças. É necessário ainda que este canil tenha capacidade instalada para realizar a esterilização de animais, de forma a que todos os animais entregues para adoção saiam do canil já esterilizados. É preciso ainda estudar a necessidade de alargar a capacidade do canil, de forma a não sobrelotar tão facilmente.
Para o Bloco de Esquerda, estes centros, assim como os municípios, devem estar cada vez mais abertos ao exterior, disponibilizando serviços de veterinária a famílias com animais domésticos. É necessário evoluir do paradigma do canil de abate para o paradigma de um centro de bem-estar animal.
Mas se estes investimentos devem ser feitos e necessitam de verbas para serem realizados, não podemos esquecer outros investimentos que são necessários, seja a nível municipal, seja na articulação deste equipamento com municípios e associações de defesa dos animais.
Face a esta realidade, o deputado do Bloco de Esquerda, Moisés Ferreira questionou hoje o Ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural. Ler aqui as perguntas
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| mafdr_canil_intermunicipal_municipios_terras_de_santa_maria.pdf | 542.7 KB |