O Bloco de Esquerda tomou conhecimento de obras, levadas a cabo por um agente privado, com movimentação de terras e nivelamento de terreno em área de interesse no âmbito do património arqueológico nacional.
A área em questão é a Necrópole de Chão do Grilo, situada na localidade de Gondesende, freguesia de Esmoriz, município de Ovar, que foi recentemente alvo de escavações e novas descobertas arqueológicas. Da última intervenção de que foi alvo, resultou a expansão da área classificada. Área essa que se encontra atualmente sob intervenção, com máquinas pesadas e que envolve remoção de terras e nivelamento de terreno. A equipa de arqueologia responsável pelas escavações arqueológicas e mais recentes descobertas, suspeita da presença de um povoado próximo à necrópole, na área em que ocorrem as intervenções.
Sendo uma área com interesse arqueológico, este tipo de intervenção carece de acompanhamento por uma equipa de arqueologia. No caso concreto da Necrópole de Chão do Grilo, o Bloco de Esquerda confirmou essa necessidade junto da Direção Regional de Cultura do Centro (DRCC). De acordo com a informação recolhida junto da DRCC, foram feitas denúncias prévias (sobre esta mesma situação) a esta direção regional, das quais resultou o envio de um ofício à Câmara Municipal de Ovar, que tem a tutela local sobre o sítio arqueológico, ao qual não terá ainda respondido. Este ofício solicitava a imediata suspensão das obras e agendamento de uma reunião no local.
Através de contacto telefónico, o Bloco de Esquerda obteve da Divisão de Cultura da CM Ovar a informação de que tudo estaria a decorrer dentro da normalidade e legalidade e que a fiscalização havia sido acionada e estava atenta à questão.
Contudo, obtivemos também confirmação da DRCC de que as obras em curso decorrem em plena área classificada e que esta direção desconhece que estejam a ser acompanhadas por um arqueólogo, como exigido por lei, pelo que foi enviado novo ofício à CM Ovar.
O Bloco de Esquerda confirma que as obras prosseguem, tendo sido observada atividade de máquinas pesadas na área classificada: na passada sexta-feira (18/12/15); no passado sábado (19/12/15); na passada segunda-feira (21/12/15) e hoje (22/12/15).
O BE estranha a forma displicente como o caso está a ser tratado pela Câmara de Ovar. Moisés Ferreira, deputado do BE, questionou hoje mesmo o ministério da cultura, exigindo medidas céleres para colocar fim a este atentado contra o património arqueológico nacional. Ler aqui
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